sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Cordeluna

Lembro vagamente que em algum momento de minha formação escolar, alguma professora mencionou algo sobre a disputas territoriais ente cristãos e muçulmanos na idade média. É exatamente nessa época em que se passa parte da trama de Cordeluna.

No século XI, Sancho, um dos guerreiros de El Cid se apaixona por Guiomar, joven condessa da região da Castela. Você já deve ter deduzido, devido a diferença de classes, seu amor é proibido. Mas como miséria pouca é bobagem, o casal ainda tem que lidar com os ciúmes de Brianda, madrasta de Guiomar.

No século XXI, Sérgio e Glória fazem parte de um programa teatral para jovens (leia-se adolescentes) que pretende recriar a história de El Cid, em um mosteiro que já existia há mil anos. Vindos de lados opostos da Espanha, o casal "se encontra", mas, é claro, existe uma mulher mais velha, Barbara uma das instrutoras, interessada no rapaz.

Diminuindo essa diferença de 1000 anos, está uma maldição. E a misteriosa magia de uma espada, a tal Cordeluna do título. Sancho, Guiomar, Brianda - Sérgio, Glória, Barbara. Não é impressão, as iniciais, dos protagonistas das duas linhas narrativas são semelhantes. Pois suas tramas, são de certa forma reflexo uma da outra, e convergem para um desfecho em comum.

Intercalando duas linhas narrativas, de épocas históricas completamente diferentes. Cordeluna, começa lento para apresentar adequadamente não apenas um bom número de personagens, mas também a época. Élia Barceló, fez um excelente trabalho de pesquisa e apresenta costumes, recria situações e até expressões idiomáticas da época. Tudo devidamente explicado, durante a narrativa ou em notas de rodapé.

Uma vez estabelecidos, cenários e personagens, o mistério e a aventura engrenam em uma narrativa ágil, inteligente, e bem escrita. Sim, existem os clichés literários (amor à primeira vista e impossível, bruxaria, mensagens em código e buscas a lá Indiana Jones), mas estes são justificados pela época em que a história se passa, ou pelo público alvo, os jovens. Além de serem bem construídos, estão lá por um motivo, e tem uma função a cumprir no decorrer da história.

A linguagem, é simples e direta, mesmo quando precisa abrir espaço para jeito de falar e costumes da época. Outro ponto positivo e não ter as consequências dos atos dos personagens amenizados para poupar o público jovem. Há perdas, mortes e sofrimento, tornando toda a jornada mais urgente e seu final gratificante.

A edição nacional é bem caprichada, com páginas em texto azul, letras capitulares decoradas, ilustrações, um posfacio que explica as disputas territoriais na Espanha na Alta Idade Média entr cristãos e muçulmanos. E mapas com as conquistas de territórios através dos tempos.

Cordeluna é uma aventura jovem, mas que não subestima ou superprotege seus leitores. Ousa apresentar duas linha narrativas distintas, de forma inteligente e com conexões bem feitas. Logo funciona também para leitores de outras idades. Além de trazer de volta, sem que você perceba, um pouco daquelas aulas de histórias de história que você esqueceu.

Cordeluna
Élia Barceló
Editora Biruta

Este post faz parte do Book Tour Cordeluna promovido pela Editora Biruta. Book Tour é um projeto onde vários blogueiros, leem, resenham e compartilham o mesmo livro. Fui a primeira a receber Cordeluna, que agora vai para a Micheline Soares do blog Diário de uma vida (quase) vazia

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