segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Hércules

Se você já brincou de telefone sem fio, mora em cidade pequena, ou mesmo frequentou a escola, deve ter percebido, que os mitos (ou fofocas nos tempos de hoje), geralmente nascem de histórias menores muito bem contadas. Repetidas e ampliadas a cada novo ouvinte. É assim que o roteiro de Hercules, com Dwayne "The Rock" Johnson pretende tornar o herói grego em uma figura mais realista.

Hércules (Dwayne Johnson) é um mercenário que vaga pela Grécia oferecendo seus "serviços heroicos" ao lado de seus companheiros. Entre eles Iolaus (Reece Ritchie) é o encarregado de agregar valor ao produto exaltando os mitológicos 12 trabalhos do suposto bastardo de Zeus. Durante a projeção descobrimos que alguns deles realmente aconteceram, mas não necessariamente do jeitinho que é contado. A explicação para alguns feitos e criaturas mitológicas são inteligentes e até divertidas. Embora às vezes se apresentem em intrusivos flahsbacks.

É claro, que conhecemos Hercules e sua trupe, quando estão prestes à se aposentar, precisando apenas de um último trabalho para completar sua poupança para vida toda. O trabalho em questão é libertar a Trácia de um feiticeiro, à pedido de seu soberano Lord Cotys (John Hurt, sempre competente, porém atuando no piloto automático). O que inclui, muitas batalhas, uma sessão de treinamento (que particularmente me lembrou muito a animação Mulan da Disney), além de previsíveis e anunciadas reviravoltas.

Johnson queria há muito dar vida ao herói grego, e embora tenha o carisma, porte e até uma atuação razoável, nunca se transforma de fato no herói. Apesar da peruca e espessa barba, ainda é o "The Rock" como Hercules. Tudo bem, graças à seu carisma, torcemos aceitamos e torcemos pelo personagem mesmo assim.

O problema está mesmo na pretensão de ser um épico memorável. Para isso a produção apostou na produção de gigantescos cenários reais, que infelizmente não são explorados em seu potencial. Contratou centenas de figurantes para as batalhas, mas falha ao executar as sequencias de ação. O roteiro formulaico também não ajuda. Uma vez estabelecida a a trama, não é muito difícil o espectador adivinhar o que vem a seguir. Inclusive com o arco do herói, que além de salvar a todos ainda precisa lidar com seus próprios demônios.

Única vantagem da fórmula pronta é que ela encontra espaço para o elenco de apoio, e alivia o peso de carregar o filme que o personagem título impõe a Johnson. Também são eles os responsáveis pelos momentos de humor, os melhores do longa. Aí se destacam Ian McShane, Rufus Sewell e Rufus Sewell, todos do bando do herói. Já Peter Mullan e Joseph Fiennes tem pouco espaço para desenvolver seus unidimensionais personagens.


Com elenco certo, mas execução equivocada, Hercules funciona como filme pipoca, diversão instantânea. Mas falha se levado muita à sério e nem de longe será o épico memorável, ou o personagem que marcará a carreira de Dwayne Johnson.

Hércules (Hercules)
EUA - 2014 - 103 minutos
Aventura / Épico

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