quinta-feira, 19 de junho de 2014

Transcendence - A Revolução

Questionamentos sobre o limite e a possibilidade de criar Inteligência Artifial, nanotecnologia, um bom argumento e um elenco de competentes estrelas dão a sensação de que Transcendence - A Revolução seria um raro bom exemplo de ficção-cientifica disfarçada de blockbuster. Infelizmente não é nem um, nem outro.

Em um futuro não muito distante Dr. Will Caster (Johnny Depp), é o maior especialista do mundo nos estudos de inteligência artificial e tem feito enormes avanços na àrea. E claro, que desde que o mundo é mundo, há sempre um grupo (liderado pela personagem de Kate Mara) que não acha toda essa tecnologia uma boa ideia. Logo, não é surpresa o atentado, que o deixa apenas algumas semanas de vida. Auxiliado por sua esposa e coautora da pesquisa Evelyn (Rebecca Hall) e por seu melhor amigo Max Waters (Paul Bettany), Caster decide não morrer em vão, e transforma sua partida em uma oportunidade para avançar suas pesquisas, transferindo sua consciência para o computador.

Logo, no inicio do longa Caster é acusado de tentar "bancar" deus ao criar inteligência artificial. Este é apenas o primeiro, e mais óbvio, questionamento que o longa propõe. Qual o limite para a humanidade? É mesmo possível criar uma consciência? E nesse caso, seria mesmo a versão computadorizada o verdadeiro Caster, ou apenas um computador programado para agir exatamente como ele? O Caster virtual é capaz de sentir emoções, ou todas as suas ações, mesmo as afetuosas com relação a sua esposa são calculadas? E quais as consequências de transformar uma das mentes mais brilhantes do mundo em uma máquina, que não apenas potencializa todo seu potencial, mas também o expande por todo o mundo através da internet? Um ser com tanto poder poderia ser encarado como um novo Deus?

São estas as boas discussões levantadas no longa, quando este finalmente (por que demora), tem que lidar com as consequências do experimento. Infelizmente, o filme levanta as questões mas não as discute. Logo que as dúvidas aparecem o personagem de Bettany, o cientista de visão mais humanista, é colocado de lado em uma brusca transição para o lado dos ativistas anti-tecnologia. Logo, o triângulo amoroso disfuncional (homem, mulher, máquina), que devia ser desenvolvido em paralelo, como uma forma de explorar essas discussões se perde. Transformando um filme em um debate superficial entre o casal protagonista.

Já os efeitos especiais, e a ação no último ato, que junto dos astros do elenco transformariam o Transcendence em um pseudo blockbuster não empolgam. Em alguns momentos beiram o absurdo, quando por exemplo a máquina é capaz de controlar o clima. O que aliais, faz a solução para derrota-lo soar menos eficaz do que deveria.

O elenco bem que tenta, mas para a maioria não há muito o que fazer. Morgan Freeman e Cilian Murphy fazem pontas de luxo, em papéis previsíveis que somem e reaparecem sem muito critério. Enquanto Freeman encarna, novamente, uma especie de mentor. Enquanto Murphy é a força policial/representante do governo que ficamos com a sensação de estar por demais alheios a todos os eventos do longa.

O trabalho pesado fica para Hall e Bettany. Ela como única personagem (humana) que move a trama principal sozinha por um longo tempo. E Bettany realmente se esforçando para ser um bom narrador/personagem da história, embora não tenha presenciado boa parte dos acontecimentos que narra.

Já a desgastada imagem de Johnny Depp é visto quase que todo o tempo através de sua versão virtual, contida em uma tela sem profundidade (seria um reflexo de sua verdadeira natureza?), deixando o ator em um empasse. Por mais que se esforce, ele não agrada o público em personagens "não extravagantes". Entretanto, a mesma audiência se diz cansada de seus piratas, chocolateiros e chapeleiros loucos. Não é o estilo de atuação em que ele é bom, e o texto excessivamente auto-explicativo, também não ajuda uma vez que falar é a única coisa que ele pode fazer.


Nem mesmo a fotografia do longa impressiona. Esmero que era de se esperar de seu diretor estreante. Wally Pfister foi diretor fotografia dos filmes de Christopher Nolan (que neste é produtor).

Transcendence - A Revolução, tem o orçamento, elenco, argumento e discussões apropriados. Infelizmente faltou acertar a mão no roteiro e ritmo.Uma pena para os fãs de ficção-cientifica, e para os adoradores blockbuster, que poderiam se descobrir como novos fãs do gênero.

Transcendence - A Revolução (Transcendence)
EUA - 2014 - 119 minutos
Ficção científica

4 comentários:

Marcelo Keiser disse...

Eu achei também que esse filme foi bem fraco. Principalmente pela história que esperava ser diferente (com um nível maior de profundidade e mais elaborada) depois que vi a sinopse e um trailer que me encheram os olhos. Uma pena!

abraço

Fabiane Bastos disse...

Pois é Marcelo, eu não achei detestável, mas tinha muito mais potencial ali para explorar!

Valeu pela visita! ;)

Karla P disse...

Participação do ator, Johnny Depp em um filme já costuma ser motivo de sobra para que os fãs se desloquem até as salas de cinema com o objetivo de acompanhar a nova obra. Este thriller de ficção científica mais de 100 minutos, eu gostei. Transcendence é um filme estranho e muito futurista que eleva a curto prazo um futuro muito sombrio para toda a humanidade. A coisa interessante sobre este filme é o debate e o dilema moral que surge quando se discute os limites da ciência e tecnologia. Transcendênce é o primeiro filme que fez Wally Pfister, diretor de fotografia de quase todos os filmes de Christopher Nolan.

Fabiane Bastos disse...

Que bom que gostou Karla P! Eu queria um pouco mais, mas é um bom passa tempo.

Obrigada pela visita1

 
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