segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Jogos Vorazes - Em Chamas

Um simples assovio não era tão perigoso, desde que "M" (O Vampiro de Dusseldorf) deixou de assoviar In the Hall of the Mountain King em sua caçada por criancinhas. Mas, desde que Katniss Everdeen (Jennifer Lawrence), adotou (ou foi associada) o tordo como símbolo e venceu os Jogos Vorazes desafiando a autoridade, basta alguém imitar o som do pássaro para se tornar uma ameaça em potencial à ser controlado.

É assim que encontramos a protagonista. Enfrentando às consequências de sua histórica e midiática vitória na 74ª edição dos Jogos Vorazes, ferramenta de controle disfarçada de reality show, que a rica Capital usa sobre os 12 Distritos da Panem. Após vencer forjando (ou não) um romance com seu colega de Distrito e desafiando as normas do jogo, a moça faz parte do sistema. Logo, é obrigada à seguir em turnê pelo país ao lado de Peeta (Josh Hutcherson). Agenda de praxe imposta aos campeões para reforçar o poder da Capital. Entretanto, sua presença apenas reforça o sentimento de união e rebeldia da população.

Simbolo máximo de esperança para a população, a moça se torna uma ameaça  a qual o Presidente Snow (Donald Sutherland) está empenhado em derrubar. E a oportunidade vem em forma da comemoração dos 75 anos dos Jogos, uma edição especial chamada de O Massacre Quaternário.

Achou a sinopse um tanto quanto longa? Isso é reflexo do único ponto fraco do filme: ser o filme do meio. Á O Senhor dos Anéis: As Duas Torres, e outros filmes intermediários, Em Chamas, não tem o início nem fim, é o meio da jornada. Isso exige um certo nível de comprometimento do expectador, que compreende melhor se assistir aos outros longas da franquia. Os pontos fracos acabam aí!

Com o orçamento dobrado, graças ao sucesso do primeiro filme, a escala visual cresce. A direção de arte acentua ainda mais a discrepância entre os paupérrimos e cinzentos distritos e Capital com seus ambientes limpos, amplos e clássicos e figurinos exagerados. Os efeitos especiais são mais elaborados, tudo é maior, mais urgente, mais perigoso.

Perigoso como as novas aquisições do elenco, que adequadamente traz Philip Seymour Hoffman, para viver o ambíguo novo produtor dos Jogos Vorazes. Outra aquisição é a competente Jena Malone. Do elenco original, Laurence continua ditando o ritmo com sua protagonista que não pode evitar, e tenta compreender o universo em que foi jogada enquanto este desmorona a sua volta. Hutcherson é eficiente em conferir mais facetas a Peeta, hora "marqueteiro", hora amigo, hora namorado. O eficiente Woody Harrelson também ganha mais tempo de tela com seu, agora empenhado, embora ainda bêbado, tutor Haymitch. Já Donald Sutherland, também com mais espaço confere ao Presidente Snow o peso, seriedade e ameaça que este lider representa. Voltam ainda o divertido Stanley Tucci e Liam "irmão do Thor" Hemsworth.

Para completar, as críticas sobre aquele universo, e consequentemente sobre o nosso, ficam ainda mais evidentes com o rumo que a trama, baseada no livro de Suzanne Collins, segue. A manipulação e controle das massas, violência, questões morais, abuso de poder, o papel dos governantes, das pessoas públicas, a política do pão e circo, estão novamente em cena e com mais destaque. Afinal, as próprias personagens começam a perceber e questionar esses conceitos.

Infelizmente, o mesmo não acontece do "lado de cá" da tela. Nem sempre a petizada está atenta ao subtexto, atraídas exclusivamente pelo espetáculo da franquia,  que nós, brasileiros, tivemos o privilégio de assistir primeiro. Palavras do marketing do filme, não minhas. Ao menos a mensagem está lá, bem apresentada, para quem quiser ouvir. Cedo ou tarde será recebida pela platéia intencionalmente, ou por osmose. O jeito é torcer e esperar!

Jogos Vorazes - Em Chamas (Hunger Games - Catching Fire)
EUA - 2013 - 146 min.
Ficção científica


Leia também: Jogos Vorazes - crítica


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