sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Os suspeitos

Quando a parceria é boa precisamos repetir! Por isso a colega blogueira Geisy Almeida do  DVD, Sofá e Pipoca retorna para resenhar mais um filme!

Um filme de grandes atuações

por Geisy Almeida

Levei um bom tempo para digerir bem o que vi e, no fim das contas, achei o saldo mais positivo que negativo. Os suspeitos (Prisioners, 2013) é um filme repleto de boas atuações. A história, densa, traz os espectadores para dentro de duas famílias desestruturadas depois que as caçulas de ambas somem sem deixar rastro. Um prato cheio para bons atores como Hugh Jackman e Terrence Howard colocarem os outros no bolso. Fora alguns pecadinhos de caracterização (como uma equivocada escolha de cortes de cabelo para Jake Gyllenhaal e Jackman e a triste barriguinha falsa que arrumaram para Gyllenhaal - frescurinha minha, admito), má divisão do tempo e o final um tanto abrupto demais, o filme é bem acima da média atual de suspenses.

Duas famílias amigas, os Birch e os Dover, se reúnem para o almoço de Ação de Graças. Quando as pequenas Anna Dover e Joy Birch somem inesperadamente, começa uma busca desenfreada dos pais pelas meninas. Keller (Jackman, excelente) e Franklin (Howard, atuação marcante e emocionante) começam a buscar junto com a polícia as meninas, enquanto as suspeitas recaem sobre Alex Jones (Paul Dano, ótimo). Ele estava dentro do trailer que estava estacionado no bairro no dia em que as meninas sumiram, e sua tentativa de fuga quando a polícia o cercou reforçou a suspeita do envolvimento dele no crime. Para solucionar o caso e encontrar as meninas, o detetive Loki (Gyllenhaal, bastante convincente) foi colocado no caso. Ele busca evidências no trailer, mas não encontra nada. Um exame psicológico em Alex também comprovam que ele não seria capaz de cometer tal crime - o rapaz tem o Q.I. de um garoto de 10 anos, vive com uma tia que o adotou ainda criança e mal consegue falar direito.

O caso causa repercussão nacional e jornais vem cobrir o caso. Com o tempo passando e as chances de encontrar as meninas com vida diminuindo, após as 48h de custódia na prisão e sem nenhuma prova de que Alex tinha realmente raptado as crianças, ele é liberado. Diante das câmeras, Keller acaba por agredir o rapaz que tinha acabado de sair da cadeia e quase é preso, mas antes consegue ouvir dele "elas só choraram quando as deixei". Aquilo o fez ter certeza de que ele sabia de alguma coisa. Cansado de procurar em vão pela filha na floresta, ele decide fazer justiça por conta própria. Acaba por sequestrar o rapaz e o leva para a casa de seu pai, abandonada desde que ele morreu. Acreditando estar fazendo a coisa certa, ele pede a ajuda de Franklin para poder arrancar de Alex (leia-se torturar) a informação do paradeiro das filhas de ambos. A contragosto, mas mais preocupado com o bem-estar de sua filha, Franklin o ajuda a espancar o rapaz. Enquanto isso, o detetive Loki agora tem que lidar, além das buscas pelo paradeiro das meninas (indo atrás dos pedófilos da região e pesquisando casos de desaparecimentos parecidos com o de Anna e Joy), ele agora tinha que lidar com o desaparecimento de seu principal acusado. Quando um sujeito estranho passa a rondar o memorial que os vizinhos fizeram para as garotas e a invadir as casas das famílias Dover e Birch, a investigação muda drasticamente de rumo.

O filme segue nesse crescendo de suspense até o desfecho, que podia ser previsível porém boas pistas falsas seguram a atenção até o fim. Como falei antes, o filme é repleto de ótimas atuações, principalmente de Jackman, Dano e Howard. Talvez por isso o diretor Denis Villeneuve tenha se estendido tanto na parte do drama das famílias. Sem dúvidas é angustiante acompanhar as atuações emocionantes e o desenrolar da trama, mas chega uma hora em que a gente se pergunta "mas esse filme não acaba?". O filme acaba por se arrastar por quase duas horas nisso, e só na última meia hora que as peças começam a se encaixar. A forma como o quebra-cabeça se forma também é bacana, apesar de conseguirmos prever alguns passos se nos mantivermos atentos. E creio que o maior debate é "vale a pena ir a extremos como o que Keller fez para salvar sua filha?". Sim, porque por mais que estejamos envolvidos no drama das famílias e torcendo para que o mocinho encontre o paradeiro das crianças indefesas, temos que admitir que é violento às pampas ver dois homens espancando um jovem com sérios problemas mentais.

O filme vale sim a ida ao cinema, vale principalmente o debate depois. O maior problema, talvez, tenha sido a edição do último take - não houve quem saísse da sessão em que eu estava que não tivesse bufado uma ironia qualquer, ou pensado "putz, sério que terminou assim?". Mas nada grave (apesar de ter gente que achou o filme um lixo só por causa disso). Não tiro o mérito, recomendo. Mas já deixo avisado: é violento sim, mais psicologicamente do que visualmente – apesar da terrível tortura que Alex sofre, e em alguns momentos bem explícita, e o final pode ser decepcionante para alguns.

Os Suspeitos (Prisoners)
EUA - 2013 - 146 min.
Drama / Policial / Suspense

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