terça-feira, 20 de agosto de 2013

Círculo de Fogo

Eu vi pouco dos seriados tokusatsus que passavam na extinta TV Manchete, quando tinha idade para lembrar eles já estavam sendo substituídos pelos animes. Mesmo assim, foi o suficiente para Jaspion e cia, ganharem um espaço especial em minhas memórias afetivas, apesar de serem "programas de meninos" (ò preconceito, hein!).

Imagine então, o efeito com meninos das gerações anteriores a minha. Aliais, não precisa imaginar não! Basta assistir à Círculo de Fogo, ficção cientifica onde Guillermo Del Toro coloca humanos controlando robôs gigantes para defender o mundo de Kaijus, que é o termo em japonês para aqueles monstros gigantes do cinema japonês.

Então um dia monstros alienígenas gigantes começam a aparecer na Terra e fazer muito estrago. Em resposta, os homens criam os Jaegers robôs gigantes controlados por duas pessoas conectadas por uma rede neural. Mas os monstros ficam cada vez mais fortes, à beira da derrota os humanos tem um último grande plano para acabar de vez com a ameaça. E depositam suas esperanças em no ex-piloto Raleigh Becket (Charlie Hunnam), e na cadete sem experiência Mako Mori (Rinko Kikuchi), e um lendário porém obsoleto modelo de robô.

Sim, é uma situação absurda, que exige a mesma suspensão de descrença que você tinha quando assistia Changeman ou Power Rangers. Mas essa é a brincadeira! E considerando, que os Transformers conseguem encher os cofres de Michael Bay, ao destruir cidades indiscriminadamente. Imagina se todo seu potencial de diversão (ora são robôs gigantes!) fossem bem aproveitados.

É isso que, Del Toro faz ao desenvolver bem o argumento simples em um roteiro coerente. Sem excessos, surpresas e detalhes técnicos exagerados geralmente presentes apenas porque "filmes de adultos" precisam ser (ou parecer) mais complexos.

Por sua eficiência em ser simples, é claro, não é um filme de personagens. Mas traz bons personagens, que apesar de caricatos trazem história suficiente para você se importar com eles. Temos então o herói que precisa recuperar a auto-confiança (Hunnam), a novata com passado obscuro (Kikuchi), os nerds que entendem a ameaça e o grande comandante com segredos. Este último, Stacker Pentecost, brilhantemente vivido por Idris Elba.

Tudo isso com o esmero de uma produção, que traz monstros detalhados, robôs gigantescos (mesmo!). E respeitou inclusive o peso de criaturas dessa magnitude. Coisas grandes e pesadas se movem devagar, isso aliais aumenta a tensão. Bem feita a fotografia se destaca particularmente em um belo, porém agoniante, flashback.

Toda a preocupação com a escala das criaturas, seus movimentos, e a grandiosidade de suas ações ficam ainda melhores em 3D. Fazendo deste um dos poucos filmes da temporada em que a tecnologia não é desnecessária.

Circulo de Fogo, se assume como uma brincadeira. Faz bom uso da familiaridade e da memória afetiva de um produto que estava meio esquecido deste lado do globo, sem desrespeitar o expectador. E também é muito divertido. Só faltou mesmo a pose do herói, e/ou robô gigante, em frente à explosão da vitória em uma pedreira.

Círculo de Fogo (Pacific Rim)
EUA - 2013 - 131 minutos
Ação / Ficção científica

0 comentários:

 
Copyright © 2014 Ah! E por falar nisso... • All Rights Reserved.
Template Design by BTDesigner • Powered by Blogger
back to top