terça-feira, 16 de abril de 2013

Jack - O Caçador de Gigantes

Comecei a ficar preocupada com a geração posterior a minha quando anos atrás descobri uma adolescente que nunca tinha ouvido falar de "um tal de" Peter Pan. Desde então minha preocupação com as gerações futuras só tem aumentado, afinal se depender do cinema, eles nunca vão saber que, em terras brasucas, o verdadeiro nome de Jack é João. E que o rapazote nem de longe caçava gigantes, ele só tinha um pé de feijão.

Jack - O Caçador de Gigantes, é a suposta adaptação para o cinema do conto de fadas João e o Pé de Feijão. Entretanto, ao invés de apenas trocar a vaca da família por feijões, roubar um gigante e fugir dele sem sofrer grandes punições (pensando bem a moral nesse conto é bastante duvidosa, não?), aqui João Jack se envolve por acidente em uma trama vilanesca para tomar o reino. O que inclui os tais feijões, os gigantes e até uma princesa.

Ok. Admito que o conto original talvez não desse um longa excepcional, aliais, talvez nem conseguisse ser um longa. Mas usar uma formula batida de transformar um cara comum em um herói de armadura brilhante que salva a mocinha, não foi o recurso mais inteligente. Especialmente se você, assim como eu, acidentalmente assistiu o filme na mesma semana em que um episódio de Once Upon a Time, explorou com muito mais criatividade a mesma história. Apenas para dar um exemplo, Jack na série é uma garota, mas isso é assunto para outro post.

Aceitemos, é um blockbuster feito na onda dos contos de fada para ganhar dinheiro, o enredo formulário não é surpresa. Vamos para outros elementos do longa.

No elenco, Stanley Tucci (sempre competente, e presente tudo que é filme) é o que melhor consegue oferecer algo mais elaborado para seu personagem. Infelizmente seu papel é abreviado, afinal seu vilão tem que abrir espaço para a verdadeira ameaça do filme, os gigantes do título. Completamente criados em CGI, não parecem deslocados do ambiente, mas também não impressionam uma audiência acostumada a Golum.

Ian McShanee dá vida ao Rei que só parece existir porque o reino precisa de um, assim como a princesa (Eleanor Tomlinson) precisa de uma autoridade para desafiar. Já o personagem de Ewan McGregor, o guarda real Elmont realmente não tem motivo para estar ali, a não ser trazer mais um nome famoso para as cenas de ação. Fica parecendo que a produção não confia no jovem protagonista.

É mesmo difícil acreditar em um mocinho de contos de fadas que parece estar usando jeans e casaco esportivo. Nicholas Hoult (o garotinho de Um Grande Garoto, e o Fera de X-men Primeira Classe), até se esforça pelo personagem que não oferece muito.

Um filme cheio de equívocos, realizado Bryan Singer, que não costumava subestimar sua audiência. Mas aparentemente erra, como todo mundo. Só espero que consigamos contornar nossos erros. Caso contrário, daqui para frente, as crianças e seus descendentes vão acreditar que Jack - O Caçador de Gigantes, João e Maria – Caçadores de Bruxas, e Espelho, Espelho Meu, Branca de Neve e o Caçador entre outras "adaptações" vindouras, são boas versões de contos que desconhecem.

Jack - O Caçador de Gigantes (Jack the Giant Slayer)
EUA , 2013 - 114 min.
Aventura

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