segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Frankenweenie

Victor, o protagonista de Frankenweenie, tem a mesma cara e nome do protagonista de A Noiva Cadáver.  Entretanto, é o Victor casamenteiro que carrega traços do protagonista de Frankenweenie, uma vez que a animação em stop-motion lançada este ano, é uma releitura de um curta-metragem que Tim Burton dirigiu nos anos 80, na época com atores.
Victor perdeu se cãozinho, Spark, de repente. Inconsolável e bom aluno de ciências, ele encontra a solução para seus problemas na aula de biologia, quando o professor usa eletricidade para fazer um sapo morto se mover. Com alguns ajustes o garoto consegue aprimorar a experiência e traz Spark de volta. Mas, com uma feira de ciências à  caminho, e com a dificuldade de se manter cães em ambientes isolados, não demora muito para descobrirem sobre o retorno do cãozinho. Pronto, confusão armada.

Seja para quem conhece o original (presente na edição de colecionador do DVD de O Estranho Mundo de Jack), ou mesmo apenas os filmes mais conhecidos do diretor uma coisa é evidente. É um filme do Tim Burton. Sua paixão pelo mundo bizarro, e pelos "monstros com coração", que funcionou por vinte anos, começa a soar repetitivo. O "mais do mesmo" consegue tirar um pouco da força visual, e mesmo narrativa de suas obras. Já sabemos o que esperar, da direção de arte, das escolhas dos personagens, e até da música, sempre composta por Danny Elfman.

Mas, não se engane, Frankenweenie, passa longe de ser um filme ruim. Animação stop-motion,  quando bem executada, como é o caso, é sempre um encanto a parte. Mesmo quando é utilizada para gerar estranheza. Impecável, e em preto-e-branco o filme tem trama divertida, bem acabada, com boas mensagens (afinal ainda é Disney, apesar da presença de um cão morto em cena) encantadora para as crianças. Estas ao contrário do que muitos pensam, não se intimidam ou entediam pela ausência de cor. Mesmo porque, a animação apresenta um ótimo 3D.

Para os adultos, a diversão fica a cargo das referências à clássicos do gênero, que vão dos monstros clássicos da Universal, à filmes do próprio Burton. Aqueles que assistiram à versão original de 1984, vão encontrar cenas idênticas, já que do visual de Spark à objetos de cena, e mesmo posicionamentos de câmera foram mantidos. Uma pena que o Victor original, Barret Oliver (aquele que não conseguiu dar um nome à Imperatriz Menina, em História Sem Fim), não tivesse a anatomia angulosa dos esboços de Burton. (Creio que o único que o tenha é Johnny Depp, mas isso é assunto para outro post)

Voltamos então a um universo de referências, já bastante explorado por Burton. A escolha pode ser de estilo, porque é divertido ou porque é fácil cativar através do familiar. Com este último fica a dúvida gostamos por que é bom ou porque mexe com nossa memória afetiva? 

Frankeweenie é bom, e muito, mas torna evidente que o mundo estranho com que o diretor nos conquistou, caiu em lugar comum. Talvez seja hora de Burton, abandonar as adaptações e remakes, e se re-inventar. Não estou dizendo para passar a fazer filmes sobre pessoas bonitas em mundos ensolarados e perfeitos. Mesmo porque vivemos em um mundo em que todos nos sentimos "bizarros", logo não nos identificaríamos de forma tão eficiente com seres bem ajustados. Mas seria bom Burton subverter um pouco essas normas que acidentalmente criou com sua filmografia.

Frankenweenie
EUA , 2012 - 87 minutos
Animação

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