segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Amanhecer - Parte 2

Quando chegamos ao final começamos a pensar no princípio. Pensando no princípio da Saga Crepúsculo, é difícil admitir que achei o primeiro filme uma boa ideia. Vale esclarecer: assisti a película às escuras, sem fazer ideia do fanatismo que cerca a franquia e das diversas sequencias literárias. Acreditava que era uma sessão da tarde "divertidinha", que ficaria por isso mesmo. Talvez estimulando algumas adolescentes descobrir toda a mitologia em torno dos vampiros tradicionais. Até fiz uma crítica favorável. Ingênua eu, né?

Então, Bela (Kirsten Stuart), finalmente conseguiu o que queria, morrer virar vampira .Mas ela também se torna mãe, e sua "cria" tem características únicas, que logo chamam atenção dos perversos Volture. Isso obriga nossos protagonistas a buscar aliado nos quatro cantos do mundo, para uma possível batalha.

Aparentemente, ser vampiro é infinitamente melhor que ser um reles mortal, o mundo é mais bonito, você fica mais forte, rápido, não sente frio calor, e se for sortudo ainda pode ter outros dons que vão além nunca dormir e brilhar ao sol. Projetar escudos, manipular os elementos, dar choque, são esses poderes que garantem o show durante a possível batalha, e se bobear uma bolsa integram na escola para super dotados do Professor Xavier.

Entretanto, é na protagonista que percebemos a maioria das mudanças. Curiosamente mais corada do que quando tinha vida. A moça, que jogou fora tudo que nossas tataravós conquistaram queimando sutiãs em praça pública,  se apresenta mais ativa e decidida, embora ainda dependente e submissa a seu antiquado marido. Este por sua vez esquece todo o dilema de privar sua amada de uma alma ao morde-la que movera a trama até aqui, e aparece pela primeira vez de "bom humor", apesar de todo seu clã estar prestes a enfrentar uma situação de vida e morte.

Talvez Eduard (Robert Pattinson) estivesse feliz por finalmente não precisar mais disputar sua amada com Jacob (Taylor Lautner). O lobisomem agora foi domado por Renesmee (Mackenzie Foy), filha de Eduard e Bella. (Oi?)Sim, soa estranho (muito estranho), mas quem leu o livro jura: não é pedofilia.

E por falar em estranheza, todo o orçamento para efeitos especiais deve ter sido usado para mostrar a deterioração de Bella durante a gravidez. Uma vez que a estranha decisão de manter o rosto de Mackenzie Foy (12 anos) digitalmente em todas as fazes da vida de Renesmee, foi tão mal feita que a menina parece um daqueles animais falantes de filmes do final dos anos 90.

Sutileza também passa longe do roteiro, onde instintos primitivos como buscar alimento, passam a existir incontroláveis, apenas caso alguém se lembre deles. E personagens não estadunidenses, se limitam às meras caricaturas que Meyer conhece de culturas alheias.

Outro que abandonou a sutileza é Michael Sheen (o líder dos Volturi), aparentemente o ator decidiu se divertir, com o papel. Abusando dos trejeitos, caretas e de sua roupa de paquita com capa. É bobo, forçado, mas umas das melhores partes do filme. Talvez por assumir que não era grande coisa.

Também uma boa passagem é o embate entre os vampiros. Uma bem montada cena de luta, que infelizmente perde toda a força, com seu desfecho morno. Copiado das sequencias de abertura de Premonição, o final mantém o "status quo", não resolve nenhum problema, deixando soltas todas as pontas construídas durante cinco longas. E a ameaça iminente de retomar a história, caso Meyer fique entediada. 

Menos focado no romance egoísta, que exige que a pessoa abandone sua individualidade pelo outro (Bela, mal vê o pai, mãe e amigos, não existem mais), é o melhor dos cinco filmes. O que não é grande coisa. E ainda termina nos mostrando os "grandes momentos da saga", seguido de uma sequencia de créditos com imagens de todos que participaram da franquia (inclusive atores bruscamente substituídos de um filme para o outro). Para agregar importância a saga. Quem acha que isso foi copiado de O Senhor dos Anéis - O Retorno do Rei levanta a mão! 

Cinco filmes mais tarde, pode-se dizer que minha visão mudou e muito. Se graças as falhas do próprio filme, a melhora na minha análise crítica, ou ambos, não tenho certeza. Mas uma coisa é fato, uma saga de verdade não precisa anunciar o fato. Ou por acaso assistimos "A Saga Senhor dos Anéis", "A Saga Star Wars"? Saga ou não, que bom que todas tem um final, certo?

A Saga Crepúsculo - Amanhecer - Parte 2 (The Twilight Saga: Breaking Dawn - Part 2)
EUA - 2012 - 115 min.
Romance

Se você sofre de crepusculismo, ou só está curioso mesmo, leia mais:
Mas se prefere vampiros de verdade dê uma conferida neste especial de vampiros do cinema.
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quinta-feira, 22 de novembro de 2012

O caso da Câmara Secreta

Hoje, eu pretendia escrever qualquer coisa sobre o fato de faltar exatamente um mês para o fim do mundo. E que essa é uma desculpa insuperável para fazer qualquer coisa que você não tinha coragem ou tempo. Entretanto outro evento chamou minha atenção para a data. Então, o fim do mundo vai ficar para depois, afinal ainda falta um mês não é mesmo?

Neste 22 de Novembro, completam 10 anos da estréia de Harry Potter e a Câmara Secreta. A data "altamente" comemorada no Facebook (o que não é grande coisa, já que comemoramos qualquer coisa por lá), me fez recordar de outra, das várias inusitadas experiências que presenciei em cinemas, geralmente sem relação com a projeção.

22 de Novembro de 2002, por volta das 15h
no(então) Top Cine Teresópolis

Não conseguimos ingressos para primeira sessão do filme, estava lotada segundo o bilheteiro.Qual não foi nossa surpresa ao ver apenas 6 pessoas passar por nós, já na fila, ao término da sessão. Mas não, essa não foi a situação inusitada. Também não foi a presença de uma pseudo-leitora que fazia questão de enumerar os capítulos a cada cena, mas chamava berrador de"gritador". Poser!

Eis, o caso da Câmara Secreta:

Ainda na fila, no  meio de dezenas de adolescentes histéricas. De repente, uma garota a minha frente se vira, olha em minha direção, com o dedo em riste, cara de poucos amigos e uma torrente de insultos que se escritos aqui seriam representados por caracteres como estes: #&$#**

Diante da minha cara de interrogação, ainda gritando a garota respondeu: "NÃO É COM VOCÊ, É COM ELA!". Apontando para alguém em um outro grupo de logo atrás de nós (mencionei que minha usual "movie colegue" também estava nessa sessão?).  Nos 15 minutos de espera (chegamos na fila cedo) que se seguiram o fogo cruzado continuou, nos fazendo descobrir como uma rede de vôlei se sente.


Mas não parou por aí. O primeiro grupo de adolescentes se instalou bem na "cozinha", ocupando praticamente toda a penúltima fileira da sala. Nós ocupamos nossos tradicionais assentos no centro da sala, assim como várias outras pessoas na fila, deixando poucas cadeiras solitárias nas fileiras mais altas. 

Quando o segundo grupo finalmente foi buscar seus assentos fez a estranha escolha de ocupar as últimas três cadeiras juntas da última fileira. Estranha porque elas estavam em um grupo de seis pessoas. O que significa que assistiram às mais de duas horas de projeção sentadas no colo uma das outras.

As teorias para tal comportamento que criamos no dia foram muitas. A opção  de driblar a ausência de assentos para crianças foi descartada pois elas tinha altura suficiente para enxergar a tela. As outras eram:  Elas realmente adoram sentar na última fileira. Ou acreditavam que por terem pago meia entrada, poderiam usar apenas meio assento. A hipótese vencedora é de que não queriam arriscar sentar à frente das rivais, e ser atingidas por uma oportuna chuva de pipocas e outras guloseimas.

Infelizmente não conseguimos descobrir o motivo da briga. É provável nem elas mesmas se lembrem. Mas duvido que tenham, esquecido desta sessão. Ao menos para nós foi marcante!

Leia mais casos da série Só na sala escura
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segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Frankenweenie

Victor, o protagonista de Frankenweenie, tem a mesma cara e nome do protagonista de A Noiva Cadáver.  Entretanto, é o Victor casamenteiro que carrega traços do protagonista de Frankenweenie, uma vez que a animação em stop-motion lançada este ano, é uma releitura de um curta-metragem que Tim Burton dirigiu nos anos 80, na época com atores.
Victor perdeu se cãozinho, Spark, de repente. Inconsolável e bom aluno de ciências, ele encontra a solução para seus problemas na aula de biologia, quando o professor usa eletricidade para fazer um sapo morto se mover. Com alguns ajustes o garoto consegue aprimorar a experiência e traz Spark de volta. Mas, com uma feira de ciências à  caminho, e com a dificuldade de se manter cães em ambientes isolados, não demora muito para descobrirem sobre o retorno do cãozinho. Pronto, confusão armada.

Seja para quem conhece o original (presente na edição de colecionador do DVD de O Estranho Mundo de Jack), ou mesmo apenas os filmes mais conhecidos do diretor uma coisa é evidente. É um filme do Tim Burton. Sua paixão pelo mundo bizarro, e pelos "monstros com coração", que funcionou por vinte anos, começa a soar repetitivo. O "mais do mesmo" consegue tirar um pouco da força visual, e mesmo narrativa de suas obras. Já sabemos o que esperar, da direção de arte, das escolhas dos personagens, e até da música, sempre composta por Danny Elfman.

Mas, não se engane, Frankenweenie, passa longe de ser um filme ruim. Animação stop-motion,  quando bem executada, como é o caso, é sempre um encanto a parte. Mesmo quando é utilizada para gerar estranheza. Impecável, e em preto-e-branco o filme tem trama divertida, bem acabada, com boas mensagens (afinal ainda é Disney, apesar da presença de um cão morto em cena) encantadora para as crianças. Estas ao contrário do que muitos pensam, não se intimidam ou entediam pela ausência de cor. Mesmo porque, a animação apresenta um ótimo 3D.

Para os adultos, a diversão fica a cargo das referências à clássicos do gênero, que vão dos monstros clássicos da Universal, à filmes do próprio Burton. Aqueles que assistiram à versão original de 1984, vão encontrar cenas idênticas, já que do visual de Spark à objetos de cena, e mesmo posicionamentos de câmera foram mantidos. Uma pena que o Victor original, Barret Oliver (aquele que não conseguiu dar um nome à Imperatriz Menina, em História Sem Fim), não tivesse a anatomia angulosa dos esboços de Burton. (Creio que o único que o tenha é Johnny Depp, mas isso é assunto para outro post)

Voltamos então a um universo de referências, já bastante explorado por Burton. A escolha pode ser de estilo, porque é divertido ou porque é fácil cativar através do familiar. Com este último fica a dúvida gostamos por que é bom ou porque mexe com nossa memória afetiva? 

Frankeweenie é bom, e muito, mas torna evidente que o mundo estranho com que o diretor nos conquistou, caiu em lugar comum. Talvez seja hora de Burton, abandonar as adaptações e remakes, e se re-inventar. Não estou dizendo para passar a fazer filmes sobre pessoas bonitas em mundos ensolarados e perfeitos. Mesmo porque vivemos em um mundo em que todos nos sentimos "bizarros", logo não nos identificaríamos de forma tão eficiente com seres bem ajustados. Mas seria bom Burton subverter um pouco essas normas que acidentalmente criou com sua filmografia.

Frankenweenie
EUA , 2012 - 87 minutos
Animação
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segunda-feira, 5 de novembro de 2012

007 - Operação Skyfall

Admito, nunca fui grande entusiasta dos filmes de James Bond, nem mesmo dos filmes mais recentes. Provavelmente porque nunca tive a oportunidade de colocar toda a filmografia do 007, em dia (isso também acontece com relação à Jornada nas Estrelas). Ficava sempre a sensação de que eu estaria perdendo algo. Qual não foi a minha surpresa, ao não ficar tão perdida quanto esperava ao assistir à "007 - Operação Skyfall" e suas inúmeras referências à franquia.

O vilão da vez é Silva (Javier Bardem, ótimo), que coloca em risco a segurança de todo o MI-6, e principalmente de M (Judi Dench). Um vilão "do século XXI" é o extremo oposto, em todos os sentidos possíveis e imagináveis, do tradicional espião da guerra-fria (ainda que atualizado), que Bond (Daniel Craig) representa.

Nas mãos de um diretor com personalidade (coisa rara não apenas na franquia, mas no universo de grandes filmes de ação), o longa traz um visual condizente com o charme que o nome Bond carrega. Alternando entre empolgantes cenas de perseguição, e lutas em cenários que por si só já tornam as acrobacias agradáveis as olhos.

Parte da diversão está nas referências, a maioria reconhecida até por não iniciados. O longa ainda traz de volta antigos personagens repaginados. E não se preocupe se não reconhecer algum deles. O filme funciona com ou sem conhecimento prévio, e tem sempre um "bondmaníaco" dando dicas na poltrona mais próxima (quer você queira ou não).

E por falar em funcionar, a trama é eficiente e bem desenvolvida. E claro, cheio dos absurdos e imposíveis que procuramos em filmes de ação. Ou seja, é para lá de divertido!

Celebrando 50 anos, com seu 23 filme, Operação Skyfall não apenas faz divertidas e eficientes referências à o universo 007, como instiga os não iniciados o interesse por descobrir a origem as supra-citadas referências. Bem como o porque dos expectadores ao lado se inclinam em direção a tela, quando elas aparecem. Quem sabe, no próximo longa da franquia eu já tenha colocado minha cinefilia em dia!

007 - Operação Skyfall (Skyfall)
EUA / Reino Unido - 2012 - 146 min
Ação
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