sábado, 4 de fevereiro de 2012

Imortais

Já faz bastante tempo desde que eu devorava livros de mitologia no colégio. E com certeza minha memória não é das melhores mas, tenho certeza: a história de Teseu, mais conhecido por derrotar o minotauro, não era assim.

Filho de pai desconhecido Teseu (Henry Cavill), e sua mãe são renegados na cidade que vive, em uma situação semelhante ao sistema de castas da Índia. Após ver seu vilarejo destruído pelo rei Hiperion (Mickey Rourke), o jovem decide impedir os planos do cruel soberano. Este pretende encontrar o  arco de Épiro, arma que pode matar deuses. Teseu encontra ajuda de outros "injustiçados" em sua jornada, inclusive da vidente Phaedra (Freida Pinto).

Troque o nome Teseu por qualquer outro herói grego, e provavelmente o resultado dessa trama de Imortais será o mesmo. Uma vez que a história se apropria apenas de alguns nomes e detalhes da mitologia grega. Não que o grande público se incomode, a maioria não conhece o mito de Teseu. E os poucos que já ouviram falar lembram apenas que tem "um lance" com um minotauro, que sim, existe no filme.

Seguindo o estilo estilizado de 300, o filme capricha em figurinos e direção de arte. Entretanto, não é apenas de beleza que se faz um filme, e quando comparado sob outros aspectos é muito inferior ao épico de Leônidas. A história é superficial assim como seu protagonista Cavill, não apenas é desprovido de "carisma de herói", como não parece se esforçar muito para conseguir a simpatia do público. E não é só porque é pobre e renegado, que vamos torcer por alguém (exceto em novelas mexicanas, claro).

Freida Pinto (de Quem quer ser um milionário) parece estar lá apenas para ter uma representante do sexo feminino na luta. E claro, ser objeto de desejo dos marmanjos. John Hurt tão tem muito com o que trabalhar, (e nem perde tempo tentando) em sua ponta de luxo. Salva-se aí Mickey Rourke, que de tão a vontade em torturar, vai fazer muita gente atravessar a rua caso o encontre na mesma calçada.

Contudo nada é mais vergonhoso que os habitantes do Olimpo, com seus trajes dourados exuberantes, ausência de expressão e faixa etária semelhante. E daí que são pai e filha? E daí que o imaginário coletivo coloca Zeus como um senhor barbudo? Vamos colocar todos jovens e sarados, sex appeal deve ser suficiente para conseguir audiência. Se não, ao menos vamos manter o público ocupado tentando descobrir quem é quem entre os deuses. Já que sem suas características principais, e quase nunca usando nomes, uma plaquinha com o nome de cada um na armadura dourada viria a calhar.

Ok. Talvez a maioria das pessoas não esteja mesmo interessada em saber quem é quem no Olimpo, como a nerd que vos escreve. Ou ligue para interpretações primorosas. Contudo vai ser difícil não observar a alta contagem de corpos, especialmente para um filme cujo título se refere a seres que não morrem. Propaganda enganosa!

Imortais (Immortals)
EUA - 2011 - 110 min.
Épico / Fantasia

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