quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

A Invenção de Hugo Cabret

Não. O menino Hugo Cabret não inventa nada, mas o equivoco do título nacional oriundo do livro de Brian Selznick curiosamente se encaixa bem com o cinema inventivo que o longa homenageia.

Desde a morte do pai relojoeiro, Hugo (Asa Butterfield) vive nos "bastidores" da estação de trem de Paris, ajustando seus relógios. Trabalho que herdou do tio bêbado, do pai (Jude Law em ponta de luxo) herdou a habilidade com pequenas engrenagens e um misterioso autômato (robô em forma humana), que tenta desesperadamente consertar. Para tal furta peças da loja de brinquedos da estação, até que um dia é pego pelo dono, o velho senhor Georges (Ben Kingsley), e precisa pagar o prejuizo que causou. Convivendo com George, e sua afilhada Isabelle (Chloë Moretz), acaba descobrindo o caminho para para desvendar o seu, e outros, mistérios.

Uma aula de cinema para os não inciados, e uma delícia em detalhes para aqueles que conhecem um pouco da história da sétima arte, uma vez que o dono na loja de brinquedos é na verdade George Meilés. Pioneiro do cinema, que não apenas é devidamente apresentado para os leigos, com trechos de seus filmes, originais e reproduzidos pelo elenco de Scorcese. Mas também recebe a homenagem que a história não dera. O verdadeiro Meliés morreu no anonimato e a maioria dos seus 500 filmes foi derretida para virar solas de sapato. Scorcese acrescenta aqui a mensagem sobre a importância da preservação da arte.

Diante do deslumbrante mistério que é George Meliés, a saga do protagonista parece menos importante do que deveria ser. E os trechos da sua vida na estação, em que Hugo observa o mundo através dos relógios, por vezes nos fazem questionar, por que os estamos assistindo isso? Cenas cotidianas de relacionamentos, trens indo e vindo. Então me lembrei (ou melhor o diretor nos lembra, já que isto também aparece no filme), da Chegada do Trem à Estação, primeiro filme da história produzido pelos irmãos Lumiere.

Os inventores do cinema, estavam mais interessados na técnica do movimento, achavam que o cinema era coisa passageira, e filmavam apenas cenas do cotidiano. Enquanto Meliés, na mesma época, descobriu a capacidade de se criar sonhos através da câmera. Quanto mais presente é sua figura na trama, menos vemos dessas cenas cotidianas, vistas de longe. Até que certo ponto nos aproximamos dessas personagens apenas para observar o desfecho de suas histórias antes do filme terminar e seu protagonista trocar a fumaça da estação, pelas cores de Meliés definitivamente.

E por falar em cores, não era preciso ganhar tantos Oscars técnicos (5 no total), para que o detalhismo da fotografia e produção de arte se faça notar. Com cenários gigantescos, reprodução de época impecável e mesmo no tratamento da cor que muda entre o cenário cotidiano da estação, e o mundo mágico do cinema. O 3D bem utilizado, torna tudo mais espetacular e deslumbrante, além de fazer mais uma referência a evolução da sétima arte.

Sem deixar de mencionar, claro, a supra-cidata surpresa que é Scorcese fazendo filmes para crianças, e sua estréia em 3D. Recheado de mensagens, intencionais ou não, com detalhismo impressionante e até mesmo um pouco de didatismo (o be-a-bá do cinema), As Invenções de Hugo Cabret ainda consegue ser encantador para crianças e adultos, a máquina de sonhos que Meliés descobriu. É verdade Hugo não inventa nada, mas a essa altura, quem se importa?

A Invenção de Hugo Cabret (Hugo)
EUA - 2011 - 126 minutos
Aventura / Drama

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sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Bolão do Oscar 2012

Fevereiro é mês de carnaval, mas também e mês de Oscar! Por isso já está rolando no DVD, Sofá e Pipoca o Bolão do Oscar 2012. A blogagem coletiva que teve sua primeira edição em 2011, voltou para decidir quem é o melhor palpiteiro entre os blogueiros cinéfilos (ou não).

Devo avisar minhas escolhas não são em nada ortodoxas, e por vezes não fazem muito sentido. Logo sem grandes esperanças de sair com o troféu, seguem meus pitacos seguidos pelos "motivos" de escolha.

MELHOR FILME - O Artista
Devia ser Hugo Cabret, mas...

MELHOR ATOR - Gary Oldman - O Espião que Sabia Demais
Gosto de Oldman.

MELHOR ATRIZ - Glenn Close - Albert Nobbs
Remando contra a maré. Travestidas costumam agradar.

MELHOR ATOR COADJUVANTE - Christopher Plummer - Toda Forma de Amor
Aparentemente descobriram Plummer este ano. Vai Capitão Von Trapp!!!

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE - Octávia Spencer - Histórias Cruzadas
Ela ta ganhando tudo mesmo.

MELHOR DIRETOR - Michel Hazanivicous - O Artista
Para combinar com o de melhor filme.

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO - A Invenção de Hugo Cabret
Para compensar por não levar o de melhor filme.

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL - Missão Madrinha de Casamento
Não seria legal uma comédia ganhar?

MELHOR FILME EM LINGUA ESTRANGEIRA - A Separação (Irã)
Colando descaradamente do Globo de Ouro. Comissão brasuca, deviam ter enviado O Palhaço, viu!

MELHOR LONGA ANIMADO - Um Gato em Paris
Porque não gostei de Rango e Tintim não é considerado animação pela academia. Vacilo hein!

MELHOR TRILHA SONORA ORIGINAL - O Artista
Tintim é ótimo, mas O Artista é só trilha. E Williams já ganhou muitos Oscars.

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL - "Man or Muppet" - Os Muppets
Sorry Carlinhos, mas é música exótica de batucada X música com mensagem!
P.S.: Só eu tô triste por não ver a versão humana do Muppet Walter no placo?

MELHORES EFEITOS VISUAIS - Planeta dos Macacos - A Origem
Secretamente torcendo para Harry Potter e as Relíquias da Morte - Parte 2

MELHOR MAQUIAGEM - Albert Nobbs
Disputa difícil entre Nobbs e a Dama. Sorry Harry!

MELHOR FOTOGRAFIA - A Árvore da Vida
Porque Hugo, não pode levar todas!

MELHOR FIGURINO - O Artista
Quase votei no filme da Madona. Cometi um erro?

MELHOR DIREÇÃO DE ARTE - A Invenção de Hugo Cabret
Sorry Harry! #2

MELHOR DOCUMENTÁRIO - Paradise Lost 3: Purgatory
Não deve ganhar, mas fala sério! É a 2º sequencia de um documentário!!!

MELHOR MONTAGEM - Millennium - Os Homens que Não Amavam as Mulheres
Vergonha, não vi quase nada esse ano. Chute!

MELHOR DOCUMENTÁRIO DE CURTA-METRAGEM - God is the Bigger Elvis
Não conheço nenhum, escolhi o nome mais legal!

MELHOR CURTA - Time Freak
Idem.

MELHOR CURTA ANIMADO - The Fantastic Flying Books of Mister Morris Lessmore
Idem. Idem.

MELHOR EDIÇÃO DE SOM - Cavalo de Guerra
Poque faz meu próximo palpite ter mais sentido.

MELHOR MIXAGEM DE SOM - Cavalo de Guerra
Bonbas, cascos e John Williams deve ser algo legal de mixar, "nã"! Puro chute mesmo!

O Oscar vai ao ar este domingo 26 de Fevereiro.
Boa sorte blogueiros participantes!!!
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segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

O Bloco das Minas Tirith

Já que carnaval é época de subverter tudo e o post desta segunda-feira de folia está sendo escrito na madrugada, enquanto as escolas desfilam, tomo a liberdade de fazer um post carnavalesco nonsense. Lhes apresento o bloco das Minas Tirith!

Calma eu explico. Uma imagem divertida postada em uma rede social gerou um curioso bate-papo. Este por sua vez gerou o primeiro bloco carnavalesco "internético". Assim como o futebol imáginario,criamos, especulamos e comentamos sobre nosso bloco, na esperança de um dia o tornar uma grande escola, mas sem realmente fazer muito esforço para tal.

O bloco das Minas Tirith nasceu a partir da imagem ao lado quando várias moças concordaram com sua afirmação. Como passaram de 3 a quantidade de adeptas, ou formávamos um bloco, ou uma quadrilha.

As Minas Tirith se auto-denominaram as rivais perfeitas das piriguetes. Enquanto essas se recusam a sentir frio, e saem muito bem despidas no carnaval. As Tirith enfrentam o calorão com bravura para carregar belos figurinos inspirados em produtos da cultura pop/nerd.

E uma vez que o elenco feminino de o Senhor dos Anéis é limitado, abrimos espaço para personagens semelhantes. De medieval a espacial, vale Hermione, Sansa Stark, até princesa Léia (sem biquíni dourado, claro!). Tem que se mulher, forte e devidamente vestida. Rapazes podem participar, mas devem seguir o tema e respeitar suas donzelas.


Que tal? Você participaria? Vestiria qual personagem?

Seguem alguns cosplays sugestões de fantasias para seu carnaval nerd.

P.S.: A quem possa interessar, esta blogueira não tomou nada que alterem os sentidos antes ou durante a produção do texto acima. É brincadeira pura mesmo. Bom carnaval!

As minas de Tirith, Gondor, Valfenda, Condado ...
As minas de Hogwarts
As minas dos 7 reinos

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quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Viagem 2 - A Ilha Misteriosa

Os lugares e aventuras criados por Júlio Vernes são de tirar o fôlego nas páginas. Imagine então se fosse possível transportar para as telas, de forma realista, esses ambientes e criaturas fantásticas? Pois no século XXI pós Gollum, Terra Média, e afins, é possível sim. Aparentemente essa é a intenção da franquia Viagem, que transporta para os dias de hoje as aventuras, ou melhor, os cenários de Verne.

Sean (Josh Hutcherson) está novamente às turras com outra figura paterna. Dessa vez o padastro Hank (Dwane "The Rock" Jonhson). O tio vivido por Brendan Fraser no original Viagem ao Centro da Terra, nem ao menos é mencionado. Obcecado pelos lugares criados (ou seriam descobertos) por Vernes, o garoto convence o padrasto a procurar a Ilha Misteriosa após encontrar pistas de que seu avô, Alexander Anderson (Michael Caine), a muito desaparecido a encontrou. Gabato (Luis Guzmán) e sua filha Kailani (Vanessa Hudgens) é quem leva padrasto e enteado em seu helicóptero..

O primeiro erro de Viagem 2 é ignorar seu antecessor. Decisão provavelmente tomada após a recusa de Brendan Fraser, que poderia ser melhor resolvida. Falta de foco também é um problema, o filme usa 3 livros como base. Além da Ilha Misteriosa de Vernes, usa informações de A Ilha do Tesouro (de Robert Louis Stevenson) e As Viagens de Gulliver (de Jonathan Swift), que segundo a trama são na realidade o mesmo local. O resultado são passagens corridas por trechos do livros. Caso utilizasse apenas uma fonte os detalhes da obra teriam mais tempo para serem explorados.

Assim como original a visita ao local "mágico" é contra o tempo, já que a ilha ameaça desaparecer. E embora as esplicações sejam espremidas em meio a correria e algumas tentativa de humor (a maioria fracassa), o filme nunca fica confuso ou cansativo.

Contudo nenhuma falha é mais decepcionante que o 3D. Não é ruim, mas é dispensável. O oposto que se esperava da sequencia de um dos primeiros blocbusters a fazer bom uso da tecnologia.

Ainda assim é divertido visitar antigas cidades perdidas, carregar elefantes no colo e voar em insetos gigantes. E, se estimular algumas crianças a ler Vernes, Stevenson, ou Swift, já tem algum mérito. Entretanto impossível não pensar que talvez seja a hora de Hollywood rever esses clássicos. Mas levando à sério (sem Jack Black), e com fidelidade afinal as histórias originais são deslumbrantes sem precisar de 3D.

Viagem 2 - A Ilha Misteriosa (Journey 2: The Mysterious Island)
EUA - 2012 - 94 min.
Ação / Aventura / Fantasia / Ficção científica

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segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Princesas Decaídas: apocalipse zumbi

Tempos atrás publiquei uma série de posts de versões não tradicionais das princesas Disney. Eu acreditava que a série Princesas Decaídas havia acabado, ledo engano. Ao contrário do que se pensa as moças, são incrivelmente versáteis.

Logo, resolvi aproveitar a volta dos episódios inéditos de  The Walking Dead, para mostrar que as donzelas sobreviveriam (de certa forma) até ao apocalipse zumbi.  As fotos são do grupo UndeadCosplay!. Isso mesmo eles fazem cosplay de personagens desmortos. A série de zumbis reestréia amanhã 14/02, na Fox.

Devorastes a fera?
"Empresta o sapato?
Mas deixa o pé dentro tá!"
"Mim Jane!"





"Quero sushi humano!"
"Corcundas, são minhas favoritas!"

"Ele queria me conceder 3 desejos
mas carne azul é muito boa!"

Ao lado dos colegas, Jack Sparow, Merlin, Tarzan, Sininho, Jafar e Aladin!
Princesada reunída + Alice!

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sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Sim, sei exatamente com quem estou falando

Dando um tempo de tantas resenhas, foram nada menos que 10 seguidas, posto aqui uma aula. A excelente explanação do Professor da PUC-SP Mário Sérgio Cortella, que oferece uma resposta apropriada à detestável pergunta: Você sabe com quem está falando?

O professos não apenas esclarece a questão perfeitamente, como dá um "cala a boca", naqueles que insistem em usar e abusar da pergunta por aí. Vale a pena assistir algumas vezes para decorar e aplicar na prática.




P.S.: Estou pensando seriamente em utilizar a denominação de "vice-treco dos sub-troços" com muitos seres com que convivo.
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quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

4 anos falando nisso...

2011 foi um ano louco. Tanto que esqueci de comemorar o aniversário aqui do blog. E olha que até então só havíamos vivido 1 mês no ano complicado que passou. Foi apenas quando li em um desses blogs de "dicas para aprimorar seu blog" o conselho - sempre comemore o aniversário de seu blog" que percebi meu esquecimento.

O sentimento de culpa foi útil! Nem pensar que esqueço de comemorar os 4 anos que o Ah! E por falar nisso... completa em 2012. Mesmo porque se o mundo for mesmo acabar emdezembro, esta pode ser minha última chance.

Hoje o blog completa 4 anos. 
Às 16h48 minutos para ser mais exata! Neste horário em 8 de fevereiro de 2008, o primeiro texto, uma resenha de Os Simpsons - o filme era publicada.

Eis então a tradicional contagem de aniversário. Em 4 anos foram publicados 420 posts, que receberam cerca de 760 comentários e, segundo o Google Analytcs 51.461 vistas (até o momento que redigi esse post). Nada mal para quem só precisava de um lugar para praticar a escrita, e não acreditava que alguém perderia lendo as baboseiras que escreve, não?

Então não posso deixar de agradecer a você leitor fiel, ocasional, que caiu de paraquedas via google ou que está apenas afim de copiar algumas imagens. Valeu! Obrigada por dar sentido às diversas horas que passo em frente ao PC, e valor as coisas nem sempre relevantes que expresso por aqui.

Só resta agora torcer para eu conseguir manter esse espaço por mais tempo. E como promessa de ano novo vou tentar deixar a casa e o conteúdo ainda melhor. Sugestões e pitacos são bem vindos.

Prontos para a 4ª temporada do Ah! E por falar nisso...?

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segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

A Hora da Escuridão

No rodapé deste post você encontrará os gêneros em que se encaixa A Hora da Escuridão segundo seus produtores, horror e ação. Entretanto, nos próximos parágrafos, encontrará os argumentos que me fizeram duvidar da coerência dessa classificação.

Acompanhamos um grupo de jovens, que tenta sobreviver ao "apocalipse alien", em Moscou.  Entretanto após o ataque inicial, os jovens se refugiam. Presos com eles perdemos tudo o que acontece durante o grande ataque, a correria nas ruas, o medo, acidentes de avião, etc. E a cateterística ação, é logo perdida para uma brincadeira de correr e se esconder.

É apenas quando os corajosos americanos decidem que é seguro sair, que vamos descobrir nosso inimigo: o mormaço! Sim, os vilões invisíveis mais parecem aquela ondulação que vemos sob o soul quando está muito calor. Eles também são elétricos, causando um blackout quando chegam, mas ligando tudo por onde passam. Logo, nossos heróis temem as luzes (seria uma metáfora invertida?) Assustador assim nem os Cullen e o Vento de Fim dos Tempos juntos. Horror é?

No elenco temos Emile Hirsch (o Speed Racer), e vários desconhecidos. Enquanto Hirsch se dá ao luxo de interpretar um péssimo protagonista. O resto do elenco não consegue nem ao menos nos convencer de que devemos torcer por eles. É maldade, mas admito torci para os aliens em alguns dos poucos embates que o filme apresenta.

O roteiro fraco e sem carisma naufraga de vez (com o perdão do trocadilho), após um acidente de barco. Como um sobrevivente de um naufrágio vai parar quatro quadras além da margem do rio, mesmo sabendo que havia socorro em um barco a poucos metros? E pior nenhum dos companheiros ou tripulantes do barco vê a pessoa se afastar até que seja tarde demais?

Mais intrigante que isso só mesmo descobrir que a produção é Russa, já que o filme faz chacota com Moscou logo na primeira cena. E reforça a imagem negativa em vários momentos, talvez por isso todos os russos em cena falem inglês fluente. Vão fugir de lá assim que possível.

Não. Ainda não sei em que gênero colocar A Hora da Escuridão. Apenas sei que não se trata de ação, nem terror. Se a produção se levasse menos à sério talvez encaixasse em comédia como "parodia de ficção cientifica apocalíptica".  Resta torcer para que nunca se encaixe em franquia!

A Hora da Escuridão (The Darkest Hour)
EUA - Rússia , 2011 - 89 minutos
Ação - Horror

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sábado, 4 de fevereiro de 2012

Imortais

Já faz bastante tempo desde que eu devorava livros de mitologia no colégio. E com certeza minha memória não é das melhores mas, tenho certeza: a história de Teseu, mais conhecido por derrotar o minotauro, não era assim.

Filho de pai desconhecido Teseu (Henry Cavill), e sua mãe são renegados na cidade que vive, em uma situação semelhante ao sistema de castas da Índia. Após ver seu vilarejo destruído pelo rei Hiperion (Mickey Rourke), o jovem decide impedir os planos do cruel soberano. Este pretende encontrar o  arco de Épiro, arma que pode matar deuses. Teseu encontra ajuda de outros "injustiçados" em sua jornada, inclusive da vidente Phaedra (Freida Pinto).

Troque o nome Teseu por qualquer outro herói grego, e provavelmente o resultado dessa trama de Imortais será o mesmo. Uma vez que a história se apropria apenas de alguns nomes e detalhes da mitologia grega. Não que o grande público se incomode, a maioria não conhece o mito de Teseu. E os poucos que já ouviram falar lembram apenas que tem "um lance" com um minotauro, que sim, existe no filme.

Seguindo o estilo estilizado de 300, o filme capricha em figurinos e direção de arte. Entretanto, não é apenas de beleza que se faz um filme, e quando comparado sob outros aspectos é muito inferior ao épico de Leônidas. A história é superficial assim como seu protagonista Cavill, não apenas é desprovido de "carisma de herói", como não parece se esforçar muito para conseguir a simpatia do público. E não é só porque é pobre e renegado, que vamos torcer por alguém (exceto em novelas mexicanas, claro).

Freida Pinto (de Quem quer ser um milionário) parece estar lá apenas para ter uma representante do sexo feminino na luta. E claro, ser objeto de desejo dos marmanjos. John Hurt tão tem muito com o que trabalhar, (e nem perde tempo tentando) em sua ponta de luxo. Salva-se aí Mickey Rourke, que de tão a vontade em torturar, vai fazer muita gente atravessar a rua caso o encontre na mesma calçada.

Contudo nada é mais vergonhoso que os habitantes do Olimpo, com seus trajes dourados exuberantes, ausência de expressão e faixa etária semelhante. E daí que são pai e filha? E daí que o imaginário coletivo coloca Zeus como um senhor barbudo? Vamos colocar todos jovens e sarados, sex appeal deve ser suficiente para conseguir audiência. Se não, ao menos vamos manter o público ocupado tentando descobrir quem é quem entre os deuses. Já que sem suas características principais, e quase nunca usando nomes, uma plaquinha com o nome de cada um na armadura dourada viria a calhar.

Ok. Talvez a maioria das pessoas não esteja mesmo interessada em saber quem é quem no Olimpo, como a nerd que vos escreve. Ou ligue para interpretações primorosas. Contudo vai ser difícil não observar a alta contagem de corpos, especialmente para um filme cujo título se refere a seres que não morrem. Propaganda enganosa!

Imortais (Immortals)
EUA - 2011 - 110 min.
Épico / Fantasia

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