segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Amanhecer - parte 1

Eu confesso: não vi grandes ameaças em Crepúsculo, quando o primeiro filme estreou, três anos atrás. Até achei uma sessão da tarde bonitinha. É claro, na época eu não sabia de toda comoção em torno da saga, muito menos dos rumos que a incomum mente de Stephenie Meyer escolheria tomar. Obviamente após 3 sequências me arrependo da minha primeira resenha, e as chances de chegar a ler algum dos romances foi reduzida a quase zero (alguém pode ameaçar minha vida, nunca se sabe né!)

Então, Bella (Kirsten Stuart) e Eduard (Robert Patinson) vão se casar, apesar da aversão da moça quanto a matrimônio. Condição do rapaz para transformar a moça em vampira. Durante sua lua de mel em uma paradisíaca ilha brasileira, o improvável acontece. A moça ainda viva, fica grávida do vampiro. A inesperada situação põe em risco a vida da moça e a paz na nublada Forks, já que os lobos decidem quebrar o acordo de paz com os vampiros para evitar que a perigosa criatura nasça.

Começando pelo ponto positivo: bons efeitos especiais. Especialmente a transformação de Bella durante seu "estado interessante". Nenhuma surpresa, afinal eles tem orçamento para tal.

A narrativa se baseia na gestação e na tensão gerada por ela. Assim como os estágios de evolução do Alien, assistimos lentamente os efeitos do, por falta de palavra melhor, bebê em todos a sua volta. E seria apenas isso caso não descobríssemos novas facetas das personagens durante o processo. Entretanto tais características podem parecer confusas e nada agradáveis diante de um olhar mais analítico.

Sim. Bella joga fora anos de feminismo e sutiãs queimados, ao aceitar chantagem para casar. Apenas para logo depois se opor a seu marido para arriscar sua vida em prol de seu perigoso bebê.

 Falando no romântico marido de um século de idade, aparentemente são se atualizou quanto aos conceitos do século XXI. Entretanto seu machismo, não é melhor demonstrado supra alarmada cena de violência doméstica na lua de mel, mas em seu egoísta e possessivo comportamento em relação a possível perda de bela em prol de seu rebento. Totalmente contrastante com um cara que dá de presente para noiva, um encontro a sós com seu concorrente. Difícil de entender o pensamento dele não?

O que nos leva aos lobos, e ao maior dos problemas: o filme não se sustenta sozinho. Caso não tenha lido o livro, você vai passar cerca de duas horas se perguntando, "o que diabos é um imprinting?". Depois de pistas desencontradas e uma explicação mais-ou-menos, você ainda sai da sala com a sensação de que não entendeu direito. E pior que o relacionamento que esse tal fenômeno acarreta não é muito certo. Sem mencionar os personagens de apoio, que vem-e-vão. Índia brasileira, dezenas de lobos, gente da escola, esse povo está lá por algum motivo? Se não melhor corta-los, pois não há como o não fã decorar nome e função de todos.

Já a alardeada lua de mel no Brasil, que causou tanta comoção com a visita da produção para o pais soa meio falsa. Já que em quase um mês em terras tupiniquins tudo que a pobre Bella viu foram dias nublados. Imagino em que época do anos eles se casaram? E porque alguém que evita sol escolheria um dos países mais ensolarados do mundo para ter uma "casa de veraneio"?

No final da sessão, Crepúsculo 4.1 é um filme para fãs. Afinal apenas a devoção incondicional pode de dar conhecimento suficiente para compreender as pontas soltas, e as informações jogadas as pressas. A capacidade de relevar as atitudes incoerentes e personalidades instáveis de seus protagonistas.  E paciência para suportar o fato de o filme não ter final. Resta saber quantos de nós, meros cinéfilos, vão enfrentar a parte dois do final desta incomum saga.

P.S.: Caso você ainda esteja lá, tem uma cena no meio dos créditos.

A Saga Crepúsculo: Amanhecer - Parte 1 (CríticaThe Twilight Saga: Breaking Dawn - Part 1)
EUA - 2011 - 117 minutos
Drama

Se você sofre de crepusculismo, ou só está curioso mesmo, leia mais:
Mas se prefere vampiros de verdade dê uma conferida neste especial de vampiros do cinema.

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