quinta-feira, 10 de março de 2011

Bruna Surfistinha

Livremente baseado no livro O Doce Veneno do Escorpião, Bruna Surfistinha o filme pretende narrar a tragerória de Raquel Pacheco. Uma adolescente de classe média que aos 17 anos resolve fugir de casa e se tornar garota de programa. Eu disse pretende pois a fidelidade ao livro passa longe desta adaptação, infinitamente mais preocupada em dar a sua protagonista ares de heroína, do que seguir a história ao pé da letra.

Na vida real, Raquel era uma garota de classe média, alta que desfrutava dos privilégios dessa situação. Cleptomaníaca, usava sexo como forma de rebeldia. No filme Raquel (Débora Secco) sofre de bullying e de preconceito do irmão mais velho por ser adotada e tem baixa auto-estima. As únicas vezes em que rouba é perdoada pelo roteiro (por vingança ou atenção), e vê a fuga como forma de escapar da humilhação na escola. O que não responde o porque de fugir para um bordel, e não para qualquer outro lugar? Especialmente se tratando de uma menina desengonçada e tímida. É aí que a personalidade real de Raquel, que conduziu a escolha na vida real, faz falta. Na tentativa de diferenciar  bastante as fases da vida de Raquel, enquanto a torna uma heroína, o roteiro deixa de lado nuançes de uma mulher com personalidade marcante, que explicariam melhor seus atos.

Já no bordel, e atendendo por Bruna, a garota desabrocha, vira mulher e se destaca entre suas colegas de trabalho. Entretanto a grande virada acontece quando a moça decide compartilhar suas experiências em um blog. A página na rede, virou sensação nacional, e deu a Raquel, independência financeira, e o que a mocinha fragil do início do roteiro mais queria: popularidade!

Depois acompanhamos as conseqüências da fama repentina: auto-estima na estratosfera, narcisimo, irresponsabilidade e drogas. Muitas drogas, que levam ao fundo do poço a garota que fugiu de casa para não depender de ninguém, mas não percebe que depende dos clientes. A ponto de ser resgatada por um, com que, (a Raquel real) vive até hoje.

Débora Secco está convencida de que este é o papel de sua vida. A moça de entrega de corpo e alma, o primeiro deles literalmente, embora sua imagem marcada pelos personagens de novelas da globo, nunca nos deixe acreditar completamente nela. Não é a Bruna/Raquel, é a Débora interpretando a Bruna/Raquel. Ao menos o esforço da moça é valido. As boas atuações ficam a cargo da ótima Drica Moraes, dona do bordéu para onde raquel foge. E Cássio Gabus Mendes, o primeiro cliente da moça.

A maior preocupação é a equivocada censura do longa: 16 anos. E as ressalvas desta blogueira quanto a idade apropriada para ver Bruna Surfistinha passam longe das inúmeras cenas de sexo. Mesmo porque, para aguém dessa idade esse tipo de conteúdo não é inacessível.

O problema é a mensagem. Não sou puritana, e não quero fazer juízo de valor sobre as pessoas que escolheram (ou não tiveram escolha) a profissão mais antiga do mundo como meio de vida. Mas acho preocupante transformar em heroína alguém que escolheu essa vida, mesmo com dezenas de opções disponíveis. E depois mostrar o sucesso e glamour dessa escolha, para jovens ingênuos ou iludidos com o brilho da fama.

O longa é claramente vendido para adolescente, vide a narração do trailer "Ela nunca foi a garota mais popular da escola". Fico me perguntando, quantos adolescentes impopulares na escola vão sentar na sala escura, acompanhar a jornada de heroína de Bruna, e comprar a idéia? 

Bruna Surfistinha
Brasil - 2010 - 109 minutos
Drama

4 comentários:

Giselle de Almeida disse...

Não li o livro, mas bem que estava desconfiando que iam romantizar a história... Pra quê, né? Se a própria Raquel não vê problema em se expor!

Fabiane Bastos disse...

P/ iludir outras garotas de 16 anos, e produzir novas Raquéis! :P

Amanda Lemos disse...

Muito interessante o blog !
Deixo o meu aqui caso queira dar uma olhada, seguir...;

www.bolgdoano.blogspot.com

Muito Obrigada, desde já !

Fabiane Bastos disse...

Vou visitar seu blog sim!

Obrigada pela visita!

 
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